O Quarto Evangelho

O Quarto Evangelho (João) - Esclarecimentos

Ennio Dinucci....

Segundo os ensinos da Filosofia Rosacruciana, o Quarto Evangelho não é de autoria do apóstolo que leva seu nome. Esta idéia, sem dúvidas, suscitará sérias críticas da parte de alguns leitores que contestarão a veracidade desta informação, embora não possam apresentar qualquer prova contrária. O autor do presente artigo sabe quanto é difícil desfazer-se de uma idéia ou opinião cristalizada e imposta pelas autoridades religiosas durante séculos, que se encontra profundamente enraizada no inconsciente coletivo. Esclarecemos que essa informação não é nossa. Ela foi dada no início do século XX por um homem excepcional, iniciado e mensageiro da Ordem Rosacruz, o qual foi encarregado de apresentar ao mundo ocidental um resumo dos ensinos dessa irmandade, o Sr. Max Heindel. Apoiados na autoridade comprovada desse sábio não nos preocupamos com as possíveis críticas ou negativas teológicas, quer do catolicismo romano ou seitas evangélicas. Seus expoentes não têm como refutar essas informações, uma vez que seus pareceres incompletos e intelectuais, carecem da autoridade espiritual concedida aos iniciados. Somente estes, cujas capacidades lhes permitem ler nos anais eternos da “memória da natureza”, estão aptos para comprovar a veracidade de qualquer acontecimento, mesmo que se tenham passado milhares de anos.

Segundo informações do Sr. Max Heindel, confirmadas pessoalmente pela investigação direta nas regiões do pensamento concreto, os quatro Evangelhos foram escritos por quatro diferentes Escolas de iniciação que empregaram os nomes dos apóstolos. Embora essas Escolas tenham em vista um mesmo objetivo, ou seja, o desenvolvimento espiritual do homem, os quatro livros foram redigidos distintamente com a finalidade de atender as necessidades psicológicas dos diferentes tipos humanos, simbolizados pela misteriosa esfinge do ocultismo tradicional. Sendo assim, o Evangelho de Mateus, representado pelo signo de Aquárius, seria a fórmula mais indicada para o tipo nervoso ou intelectual, no qual o Éter Refletor predomina. Este éter é identificado na esfinge pela cabeça humana, símbolo da inteligência investigadora. O Evangelho de Marcos, representado pelo Signo de Léo, é indicado ao homem de temperamento sangüíneo, no qual o Éter Luminoso encontra maior facilidade de expressão. A esfinge o representa através das garras de leão. O Evangelho de Lucas é representado pelo Signo de Taurus, a fórmula adequada ao homem que tem predominância do Éter Químico, cujo temperamento bilioso é simbolizado pelos flancos de touro da esfinge. Já o Evangelho de João é representado por uma águia, expressão superior do Signo de Escorpião. É o método que mais se adapta ao tipo sentimental ou de temperamento linfático. Neste prevalece o Éter de Vida, sendo representado na esfinge pelas asas de águia.

Embora haja pontos em comum entre os quatro Evangelhos, o de João é inconfundível em sua apresentação. O próprio nome João, traduzido literalmente, indica uma das mais altas faculdades que o homem deverá desenvolver e expressar, o amor altruísta. Sua abertura enigmática (João 1:1-14), que difere completamente dos demais, tem confundindo a perspicácia dos teólogos e estudiosos que pretenderam decifrá-lo empregando nesse trabalho suas inadequadas faculdades intelectuais, impróprias para penetrar seu sentido espiritual oculto nas suas entrelinhas. Os versículos de um a catorze do primeiro capítulo, especialmente, deram margens a estranhas especulações por parte de alguns teólogos do início do cristianismo, levantando sérias dúvidas quanto a sua inclusão no Novo Testamento. A incompreensão das suas teses parece ter despertado neles certa desconfiança e aversão, pois sua linguagem incomum está interpenetrada pelo espírito gnóstico e kabalístico do início do cristianismo. Alguns estudiosos dignos de crédito o correlacionam com as filosofias Neo-Platônicas oriundas da Escola de Alexandria, fundada por Ammonio Sacas.

Os preconceitos infundados contra a magia e o esoterismo, sustentados por alguns papas e ministros religiosos, levaram-os a desprezar e denegrir a sagrada ciência, resultando disso a perda das chaves ocultas e científicas das escrituras, cujas passagens foram e são interpretadas como fatos históricos ou milagres absurdos, impossíveis de serem aceitos por mentalidades mais desenvolvidas e independentes. A cobiça do poder temporal e o brilho do ouro anuviaram o entendimento dos teólogos. Portanto, os mistérios da iniciação, revelados sutilmente pela Bíblia, pelo Quarto Evangelho e, especialmente pelo Apocalipse (erroneamente interpretado como uma futura catástrofe mundial) transformaram-se para eles em enigmas incompreensíveis e indecifráveis. Entretanto, estava previsto pelo plano evolutivo que seus ensinos deveriam chegar aos dias atuais e, apesar das resistências sacerdotais, o Quarto Evangelho foi incluído no Novo Testamento e seus mistérios estão sendo revelados pelos Rosacruzes, por meio da sua excelsa filosofia.

As três Escolas cristãs conhecidas sob o nome de Mateus, Marcos e Lucas, dão início aos seus ensinos a partir do nascimento de Jesus em Beth-Lehem da Judéia, porém, a Escola de João não dá maiores detalhes sobre esse acontecimento. Seu principal protagonista entra em cena com a idade de trinta anos, dirigindo-se a João Batista para solicitar o batismo. “No princípio era o verbo”, diz a Escola autora desta obra mágica, revelando sutilmente que o mesmo poder (idéias) empregado pelo criador dos mundos para trazê-los à existência concreta, deverá ser usado pelo homem, quando este, esclarecido pela sagrada ciência, resolver empregar a inteligência e o amor para erigir a própria espiritualidade.

Setembro de 2004.


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