Sobre Plutão

Esclarecimentos sobre Plutão e sobre a Obra “Mensagem das Estrelas” de autoria do Sr. Max Heindel

Ennio Dinucci....

O valor de um indivíduo, de um ensino ou de uma instituição se fundamenta na qualidade das idéias que sustentam.

A razão, a lógica, o discernimento, deveriam ser o fundamento de qualquer tema, infelizmente isto raramente acontece. A maioria das pessoas não emprega a razão pura em seus raciocínios; ela está, quase sempre, mesclada com as emoções e caprichos intelectuais, resultando que suas conclusões, com raras exceções, são frutos de aparências mal compreendidas e de opiniões preconcebidas.

Quando um postulado novo é lançado ao mundo, a tendência é ser aceito por grande parte das pessoas sem quaisquer questionamentos. Este fato é bastante comum, especialmente quando tratam de temas abstratos como ocultismo, astrologia, religião, etc. Os homens são inclinados a amar suas idéias, especialmente quando despertam suas emoções, com as quais se identificam inteiramente. Dominados por este estado mental, torna-se sumamente difícil pô-las de lado, mesmo quando lhes é apresentada uma proposição mais lógica e sensata. A mentalidade dos cientistas e dos teólogos, limitada quase que exclusivamente aos sentidos, encheram este mundo de idéias falseadas, de pareceres incompletos, sustentados intransigentemente por pontos de vista unilaterais que, embora sejam sustentados por décadas, nunca se transformarão em verdades absolutas e definitivas. A fim de demonstrar a insegurança dos métodos científicos, tomemos como exemplo o caso de Plutão, descoberto em 1930 e que até a pouco tempo era considerado um planeta do sistema solar e, numa reunião realizada em Praga (24/Agosto/2006), capital da República Tcheca, astrônomos de todo mundo decidiram rebaixá-lo à condição de planeta-anão.

A fim de reparar, na medida do possível, os prejuízos que os falsos astrólogos causaram à astrologia verdadeira, é preciso esclarecer que esta ciência é um aspecto da verdadeira religião; uma matéria restrita às Escolas de Iniciação, empregada pelos hierofantes dos mistérios na educação dos seus discípulos. Porém, como sempre sucede nos meios esotéricos, os traidores da doutrina arcana, encontram-se mesclados com os verdadeiros adeptos, resultando que os mistérios extrapolaram as circunscrições em que eram mantidos, sendo profanados pelos mercadores de ilusões, rebaixando-os ao nível da mentalidade mundana sempre ávida de emoções egoístas. Desta forma, a ciência dos Magos, venerada na antiguidade como um ensino secreto e superior, foi enlameada pelos profissionais da adivinhação, transformando-se numa especulação incompleta e sem sentido que nada tem em comum com a ciência das estrelas.

A descoberta de Plutão causou uma verdadeira revolução nos meios astrológicos que perdura até a atualidade. Muitos “astrólogos”(?) e uma quantidade enorme de papel foi mal empregada para descrever suas características e influências de ordem espiritual e psicológica, o que na realidade nunca existiu. Até mesmo a “The Rosicrucian Fellowship”, organização esotérica sediada em Oceanside nos Estados Unidos, fundada em 1912 pelo insigne iniciado Sr. Max Heindel (falecido em 1919), da qual se esperava um pouco de recato e seriedade, também aderiu à moda. A falta de entendimento dos seus dirigentes colidiu com os ensinos da astrologia tradicional e com os do seu excelso fundador, passando a atribuir a esse corpo celeste uma influência que nunca foi medida ou verificada praticamente e que só existia na fantasia dos seus inventores. Como se não bastasse essa demonstração de irresponsabilidade, frontalmente contrária aos ensinos da Filosofia Rosacruciana e do ocultismo tradicional, a referida instituição não teve o menor pejo em incluir na “Mensagem das Estrelas” - obra de autoria do Sr. Max Heindel – uma descrição (ou montagem) sobre a natureza desse bloco de pedra e gelo, e sua pretensa influência sobre a evolução da humanidade. Essa descrição, que prima pela tolice e ingenuidade, revelou a falta de entendimento dos dirigentes de Oceanside e o desrespeito à memória do insigne mensageiro da Ordem Rosacruz.

No Brasil, a Fraternidade Rosacruz, sediada em São Paulo na Rua Asdrúbal do Nascimento, nº 196, filiada à “The Rosicrucian Fellowship”, cujos fundadores foram dissidentes da “Fraternidade Rosacruciana São Paulo”, da qual, o autor destas linhas é filiado, publicou no seu órgão oficial informativo (Ecos), trimestre Out-Nov-Dez. de 2006, um artigo que confirma o quanto uma idéia sem sentido (caso de Plutão) pode dominar a mentalidade de um indivíduo e até mesmo de uma instituição que se diz esotérica. Esse escrito tem por título: “Plutão e a sua nova definição”, o qual tomamos a liberdade de transcrever um trecho. Diz seu autor no final da “abalizada” dissertação: “Evidentemente estas modificações (a respeito de Plutão) são de caráter astronômico, pois no âmbito astrológico, Plutão, ainda que reclassificado como um “planeta-anão”, continua regendo o signo zodiacal de Escorpião e a oitava casa natural de um tema natal (horóscopo), mantendo suas características básicas: Transformação, regeneração, sublimação entre outras. Sugerimos consultar a obra “A Mensagem das Estrelas” de Max Heindel e Augusta Foss Heindel, 11a edição (ano 2001), páginas 445 à 449”.

O que o autor do artigo talvez não saiba, ou faz questão de ignorar, é que o Sr. Max Heindel jamais autorizaria essa publicação, por não corresponder à realidade astrológica. Embora o autor tenha falecido antes da descoberta de Plutão, isto não justifica sua inclusão numa obra monumental como a “Mensagem das Estrelas”. Por acaso os corifeus de Oceanside se julgaram com autoridade para fazer esta inclusão? A decadência em que a Fraternidade Rosacruz americana se encontra, não prova sobejamente que esta autoridade nunca existiu?

É do nosso conhecimento que os irmãos da Fraternidade Rosacruz do Brasil, não são independentes em seu modo de pensar, pois se orientam pela cartilha da “The Rosicrucian Fellowship” que, depois da saída do Sr. Max Heindel do cenário terrestre em 1919, cometeu os mais deploráveis enganos filosóficos, entre eles, a inclusão do planeta-anão plutão na astrologia tradicional, provando que a direção da Fraternidade americana havia se afastado completamente das diretrizes traçadas pelo seu excelso fundador. Aliás, este já havia profetizado sua queda e ruína, motivada pela usurpação do poder por pessoas não qualificadas. (Ler sua profecia na obra “Ensinos de um Iniciado”).

A Fraternidade Rosacruciana São Paulo, é uma Escola esotérica fundada em 1929. Desde o seu início, nunca esteve filiada ou subordinada a nenhuma organização congênere e há 77 anos segue fielmente a orientação deixada pelo Sr. Max Heindel em suas obras, não a de Oceanside. Desde a descoberta desse polêmico bloco de pedra em 1930, sempre se posicionou de maneira contrária à sua adoção pela astrologia tradicional. Portanto, insurge-se veementemente contra essa atitude infeliz da Fraternidade de “Mount Ecclesia” e dos centros de estudos a ela filiados, considerando tal atitude como uma afronta filosófica e uma fraude. Seus dirigentes deveriam saber que, acrescentar um apêndice na obra de um autor já falecido sem seu prévio consentimento ou sem qualquer explicação que a justifique, classifica-os como adúlteros. Nada teríamos a comentar se a descrição sobre Plutão tivesse sido feita num folheto independente da “Mensagem das Estrelas” com o nome do autor responsável por ela. Sua inclusão na obra do Sr. Max Heindel projeta a falsa idéia - ao menos para os estudantes novos e desprevenidos - que ela foi escrita pelo próprio autor da “Mensagem das Estrelas”. Talvez tenha sido esta a intenção dos dirigentes da igrejinha de Oceanside, a “NON SECTARIAN CHURCH”, designação adotada por eles apos a saída do senhor Max Heindel do cenário visível.

São Paulo, Janeiro de 2007


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