Adulteração de Ensino

Ennio Dinucci....
Irmão Presidente e Instruto....

"Conjuro-te diante de Deus e de Cristo-Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, pela sua vinda e pelo seu reino; prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda a longanimidade e ensino. Porque virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faz a obra de um evangelista, cumpre bem o teu ministério”. (Segunda Epístola de Paulo a Timóteo Capítulo 4)

A revista trimestral de Esoterismo intitulada “ROSACRUZ”, órgão editado pela Fraternidade Rosacruz de Portugal, entidade filiada à “THE ROSICRUCIAN FELLOWSHIP” sediada na cidade de Oceanside, Califórnia U.S.A., publicou em seu número de abril, maio e junho de 1995, um curioso artigo escrito por uma senhora, que tem aparecido com freqüência nas instruções editadas pela Sede Mundial americana e centros filiados. Tomamos a liberdade de transcrever trechos desse artigo, que tem o título bastante sugestivo: “A Imaculada Conceição. A Iniciação pelo Ar”. Além desse artigo, temos lido vários outros publicados pela sede mundial americana enviados como “Lições mensais de Filosofia” aos estudantes da “Ex-Escola Esotérica de Oceanside”, que depois da passagem do Sr. Max Heindel para os Mundos Espirituais, passou a denominar-se “NON SECTARIAN CHURCH” (Igreja não sectária). O artigo, publicado pelo centro filiado de Portugal, é de autoria da Sra. Corinne Heline (já falecida) fundadora e diretora da “The New Age Inc.”. Suas obras não só foram adotadas pela “Fraternidade Rosacruz Americana”, como postas em nível de igualdade com os ensinos do Sr. Max Heindel, refletindo claramente em que bases estão sendo interpretados os ensinos Rosacruzes, enviados aos estudantes de todo o mundo. Não temos nenhuma dúvida em afirmar, pois os artigos falam por si mesmos, que a Sede Central americana e seus centros filiados seguem a mesma linha negativa e eclesiástica que assumiu o comando da organização a partir de 1919, época esta, em que a sua direção, a exemplo das igrejas, celebrava casamentos, batizados e ofícios fúnebres. Nos últimos anos o “Conselho Eclesiástico” (título adotado na época) passou a denominar-se “Conselho Esotérico”, porém, tudo indica que a “The Rosicrucian Fellowship” continua a ser a mesma “igrejinha não sectária” afinada com as idéias da Sra.Corinne Heline, sua porta-voz mais proeminente e “sábia”, cujo “ideal mariano” foi enxertado sem nenhum discernimento nos ensinos deixados pelo Sr. Max Heindel.

Não tencionamos passar a idéia que somos os donos da verdade, e muito menos que nossas conclusões sejam as únicas que devam ser tomadas em consideração, longe disso. Nossos pontos de vista pessoais cessam de existir diante da excelência dos ensinos rosacrucianos. Não amamos e nem nos encantamos com as nossas próprias idéias. Procuramos nos manter mentalmente receptivos a toda e qualquer “idéia superior”, venha de quem vier. Não concordamos, entretanto, com as opiniões infundadas e caprichosas de quem quer que seja, e muito menos com os sonhos e divagações filosóficas da sra. Corinne Heline e da Sede Mundial de Oceanside, que ao herdarem o patrimônio físico da organização, não herdaram a sabedoria dos ensinos legados pelo seu excelso fundador.

Numa passagem evangélica, os fariseus pedem a Cristo que repreenda os seus discípulos, provavelmente por não concordarem com eles, e o Mestre lhes respondeu: “Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão” (Lucas 19:40). Consideramo-nos os mais humildes discípulos de Cristo, porém, com o entendimento suficiente para não compactuar com interpretações absurdas que estão sendo dadas à Filosofia Rosacruciana. Com o intuito de que a Fraternidade Rosacruciana São Paulo não venha a ser acusada de conivência com a direção clerical e feminina que se apossou da sede central americana, ela vem a público pela primeira vez através da Internet, para denunciar aos verdadeiros estudantes, de todo o mundo, o adultério filosófico que está sendo praticado com os ensinos da Sabedoria Ocidental, da Ordem Rosacruz. A autoridade para fazer esta denúncia, tem como fundamento a própria Filosofia Rosacruciana, que há bastante tempo está sendo desfigurada e adulterada, lamentavelmente, por pessoas que não sabem o que estão fazendo. Queremos que fique bem claro que a “Fraternidade Rosacruciana São Paulo” é uma congregação dos “Filhos do Fogo”, portanto, não é uma igrejinha disfarçada. Ela não se apóia nos caprichos filosóficos de quem quer que seja, uma vez que seus ensinos são patrimônio sagrado da Ordem Rosacruz e dos mestres mais conceituados de todos os tempos, cuja autoridade ficou comprovada pela experiência pessoal e coletiva. A grande missão da Fraternidade Rosacruciana São Paulo é divulgar os ensinos da Ordem Rosacruz em toda a sua pureza, guardando-se de acrescentar às suas bases o produto infeliz da pretensão pessoal e da fantasia espiritualista. Ao ler as afirmações que serão transcritas adiante, o estudante consciente e independente, não terá dificuldade em perceber que, não é mais o ideal positivo, maçônico e masculino, que norteia os destinos da “Fraternidade Rosacruz de Oceanside”, mas as aspirações eclesiásticas dos “Filhos da Água”, enaltecendo a figura feminina da Virgem Maria, como um “ideal que todos os estudantes sérios devem ter em conta”.

Não é nossa intenção subestimar a virgem Maria, pois temos por ela, a mãe do homem Jesus, o mais absoluto respeito e consideração. Foi por seu intermédio e também de seu esposo José (que a autora esquece de citar), ambos elevados iniciados, que se organizou o veículo físico mais perfeito que se tem conhecimento. Veículo esse que, posteriormente, junto com o Corpo Vital, foram entregues por Jesus ao Espírito de Cristo no Batismo do Jordão. Não concordamos com o endeusamento da sua pessoa. A virgem não foi recomendada por Cristo como uma mestra a qual devemos estar sujeitos. Não vemos razões mais elevadas para invocar o seu nome, pois segundo os Evangelhos, somente existe um único Nome que pode e deve ser invocado, o de Cristo-Jesus! Foram as fantasias clericais e o ideal feminino sustentado por uma igreja, sem a direção positiva da “Linha dos Profetas” (Filhos do Fogo), que a elevaram à categoria de “Mãe de Deus”, coroando-a rainha do céu e transformando-a num poder paralelo, com pretensões de ser maior que o de Cristo!

É inacreditável que uma organização que se julga continuadora da obra do Sr. Max Heindel idolatre uma figura humana, contrariando todos os princípios da Torá e Evangelhos, esquecendo-se completamente das palavras do autor do Conceito Rosacruz do Cosmos: “Nós não devemos aceitar nenhuma outra direção que não seja a de Cristo”.

Num artigo publicado pela “Ex-Escola Esotérica de Oceanside”, traduzido e publicado pela Fraternidade Rosacruz do Brasil, a Sede de Mt. Ecclesia apresenta esta “maravilhosa” lição:

“Portanto, se vamos seguir seus passos (os de Jesus) devemos compreender sua obra e também a de uma mensageira de Deus, que amiúde tem sido esquecida: a bem-aventurada Virgem Maria, ou como afetuosamente é conhecida, A Açucena de Israel.” Mais adiante é afirmado: “Maria e Jesus são dois ideais que todos os estudantes sérios devem ter em conta”.

Pelo que pudemos compreender ao estudar o Conceito Rosacruz do Cosmos, a grande e sublime missão outorgada a José e Maria, termina com o nascimento físico do seu filho Jesus. Se após o seu nascimento e conseqüente crescimento, ambos continuaram trabalhando no mundo físico ou nos planos espirituais, é algo que não sabemos, pois nem os Evangelhos e nem a Ordem Rosacruz deram qualquer esclarecimento a respeito. Por outro lado, fomos informados pelo Sr. Max Heindel que Jesus, ao entregar seus veículos físico e vital ao Espírito de Cristo, passou a trabalhar nos mundos espirituais, especialmente através daqueles que estão ligados às igrejas e que se conduzem quase que exclusivamente pela Fé. As Escolas, por sua vez, são expressões de Christian Rosenkreuz, o Venerável Mestre dos Filhos de Caim ou “Filhos do Fogo”, nos quais predominam a Razão e a Vontade, suas características mais pronunciadas. Sabemos que as duas correntes têm por objetivo comum levar os homens a Cristo. Porém, não vemos razões especiais para introduzir nos ensinos preparados para os Filhos do Fogo os ideais femininos, negativos e eclesiásticos, uma vez que pertencemos à corrente positiva, masculina e maçônica. Se os métodos da igreja devessem ser empregados nas Escolas Esotéricas, estas não se fariam necessárias.

O grande problema que os “Filhos do Fogo” sempre tiveram de enfrentar, especialmente no início das suas atividades, quando não contam ainda com alguma experiência consolidada, foi a de preservar sua integridade de “Escola”; a fim de que esta não seja invadida ou infiltrada, pela mentalidade astuciosa e farisaica dos “Filhos da Água”.

Comungamos plenamente com as idéias apresentadas pelo Sr. Max Heindel em sua obra Maçonaria e Catolicismo: “Assim a nossa oposição (ao método da Água) não é pessoal, mas espiritual, e será efetuada com a arma do Espírito: a Razão. Cremos firmemente que para o perdurável bem da humanidade hão de vencer os maçons” (a corrente do Fogo). Em vista desta afirmação, não compreendemos porque a “igreja não sectária” de Oceanside insiste em afirmar que a virgem Maria é uma mensageira de Deus, e que os estudantes sérios devem tê-la em conta. Que mensagem de Deus ela teria trazido aos homens? Em que lugar essa mensagem foi apresentada, já que os evangelhos pouco ou quase nada dizem a seu respeito? Não consta em nenhuma parte dos ensinos do novo testamento, que ela tivesse qualquer participação ou mesmo opinado, de alguma forma, sobre os ensinos reservados dados por Cristo aos seus Apóstolos. Temos a certeza de que se pudéssemos ouvir a opinião pessoal da mãe de Jesus, ela se revelaria contrária às idéias fantasistas e sentimentalistas empregadas pelos escribas de Oceanside. O termo “Açucena de Israel” é muito apropriado, para o uso das igrejas dos filhos de Seth, como expressão do sentimento materno. Não é, porém para as Escolas que se dizem continuadoras da obra de Hiram Abif, cujo ideal é representado por Christian Rosenkreuz, o excelso fundador da Ordem Rosacruz.

Voltando à Sra. Corinne Heline, é visível nas entrelinhas dos seus escritos um exaltado feminismo, muito comum a todas as mestras espiritualistas – especialmente as dos Estados Unidos. Dominadas por preconceitos religiosos não lhes é permitido compreender as razões ocultas que levaram Cristo e a Ordem Rosacruz, além de outras escolas, a organizarem correntes ou egrégoras dirigidas por homens. Seguramente seremos tachados de machistas pelas feministas exaltadas de Oceanside ou de outras partes do mundo. Não importa! Nós não damos a menor importância a esse rótulo. Temos plena consciência de que não somos nem homens e nem mulheres, mas Espíritos encarnados em corpos masculinos e femininos. Possuímos grande admiração e respeito pelas nossas irmãs, reconhecendo que muito devemos a elas que, com o sentimento e sensibilidade próprios, têm alimentado extraordinariamente nossa corrente espiritual coletiva. Elas têm contribuído enormemente para o sucesso da nossa Escola, da mesma forma que as Vestais sabiam conservar aceso o “Fogo Sagrado do Santuário”. Nossas irmãs sabem alimentar a chama do entusiasmo e do amor para aquecer nossos corações. Todas elas compreenderam o grande papel que desempenham no mundo ao lado dos homens, especialmente na nossa coletividade. Contudo, as experiências vividas no passado assim como da atualidade, que chegam ao nosso conhecimento, têm confirmado que todos os movimentos esotéricos comandados pelo elemento feminino, sem exceções, acabaram por se desviar da sua linha original. A fantasia intelectual unida aos sonhos sentimentalistas fazem-nas resvalar para um regime maternal que não se coaduna com o método disciplinar adotado por uma legítima Escola. Foi o que aconteceu com a The Rosicrucian Fellowship após a passagem do Sr. Max Heindel para os mundos espirituais em janeiro de 1919.

São conservados, também, os anais da maior fantasia esotérica do início do século XX, protagonizada pela SOCIEDADE TEOSÓFICA, a respeito do novo Cristo (Sr. Maitreya), que deveria manifestar-se ao mundo através de Jiddu Krishnamurt. O criador dessa fantasia mística foi o senhor C. W. Leadbeater, na mesma ocasião em que a referida sociedade era dirigida por Annie Besant, sucessora da fundadora Helena Petrovna Blavatsky. Detalhes sobre o assunto serão encontrados na obra “Os anos do despertar” de autoria da Sra. Mary Lutyens, impresso pela Editora Cultrix, no Brasil. Esta história foi mais um episódio lamentável que vem confirmar o que podem fazer os sonhos espiritualistas, quando uma instituição esotérica não conta com uma direção autorizada. Pouco importa que seus membros sejam possuidores de muita cultura e tenham participado de movimentos sociais e políticos, além de escrever muitas obras sobre ocultismo. Cultura intelectual não é Entendimento Espiritual! Devemos salientar ainda, que muitos homens possuidores dessa mentalidade (aquática) ajustam-se muito bem a tais movimentos, pois embora tenham se tornado adultos fisicamente, psicologicamente são crianças que não podem dispensar os cuidados maternais.

Vejamos alguns trechos do artigo publicado pela revista Rosacruz de Portugal escritos pela “destacada autora”, Sra.Corinne Heline: “No dia de Pentecoste, a Virgem Maria e outros discípulos atingiram o reino da consciência de Cristo. Este reino é conhecido por muitas designações. É o plano búdico da Teosofia e o Mundo do Espírito de Vida do Rosacrucianismo”. Esta afirmação não corresponde à realidade. O segundo capítulo dos Atos dos Apóstolos refere-se à descida do Espírito Santo, que não é absolutamente o Espírito de Vida. Há uma grande diferença entre as vibrações espirituais do Mundo Mental Abstrato, onde se apóia o Espírito Santo ou Humano, e as vibrações elevadíssimas do Mundo do Espírito de Vida. Esse trecho evangélico refere-se à descida do Espírito Santo sobre os discípulos. Nenhum poder ou faculdade espiritual pode vir de fora, mas somente de dentro do próprio homem, preparado para esse objetivo. Portanto esta passagem deve ser entendida num sentido psicológico interno e mais profundo, ou seja, a tomada de consciência do próprio Espírito Santo ou Humano no interior da alma humana. Seria impossível entrar no Mundo Mental Abstrato, a menos que o estudante estivesse apoiado no seu próprio Espírito Humano. É a consciência do discípulo que deve erguer-se até esse plano, e não o plano vir até ele. O som ouvido e as línguas de fogo são símbolos de um fenômeno espiritual interior. A palavra Pentecoste (Pentekosté), originária da palavra grega (Penta) se refere ao número cinco, que representa o quinto princípio humano a partir do Mundo Físico, a Mente Abstrata! Nesta está assentada a verdadeira realidade espiritual humana. O dia de Pentecoste diz respeito à iniciação no Mundo do Pensamento Abstrato (Terceiro Céu) e refere-se à Quinta Iniciação, a mesma alcançada por São Paulo segundo se depreende dos seus ensinos (II Epístola aos Coríntios 12:2). O apoio do terceiro aspecto da Trindade, macrocósmico ou microcósmico, é o Mundo Mental Abstrato.

Continua a “grande mestra”: “Afirmamos em vários de nossos trabalhos que a Virgem Maria é a mais elevada iniciada jamais vinda a Terra sob forma feminina, afirmação essa agora convenientemente elucidada através do seu relacionamento com o rito de Pentecoste”. Que elucidação os atos dos apóstolos deixaram transparecer a seu respeito? Quem foi que disse a essa Senhora que a virgem Maria foi a iniciada mais elevada jamais vinda a Terra em forma feminina? Seguramente não foi o Sr. Max Heindel em suas obras. Ele não disse absolutamente que Maria foi o iniciado mais elevado que o mundo conheceu vindo num corpo feminino. Diz apenas que era um alto iniciado. Não diz também a que grau pertencia. No Conceito Rosacruz do Cosmos ele diz o mesmo a respeito de José, nem por isso ele foi citado pela autora. Talvez por não sentir por ele a mesma admiração que sentia pela virgem, afinal a educação religiosa que, provavelmente havia recebido da igreja romana, exalta a figura de Maria sem dar maior atenção a seu esposo José. Não é lamentável que os sonhos fantásticos dos filhos da água tenham se infiltrado entre os ensinos superiores dos Filhos do Fogo? Eis outra afirmação em que a autora dá vazão à sua exaltada fantasia clerical que não encontra confirmação em nenhuma filosofia séria: “Uma velha lenda aramaica faz alusão ao fato de a criança divina ter sido, quando da sua apresentação no templo, batizada com o nome de Jesus-Maria, o que significa a união dos princípios masculino e feminino em equilíbrio perfeito, tendo Jesus desenvolvido o corpo andrógino (hermafrodita), o corpo da humanidade futura”.

Estupenda, esta afirmação! No Evangelho de Lucas (2:21), encontra-se uma passagem que diz respeito à escolha do nome que foi dado à criança divina: “Completados oito dias para ser circuncidado o menino, deram-lhe o nome de JESUS, como lhe chamara o Anjo, antes de ser concebido”. Vemos pelo exposto que o Evangelho não faz nenhuma menção ao nome “JESUS-MARIA”. Só a lenda encontrada pela Sra. Corinne Heline – sabe Deus onde – é que faz esta afirmação. Convém observar, também, que Jesus não foi levado ao templo para ser batizado, mas circuncidado, segundo o costume do povo judeu. O batismo teve lugar muitos anos depois, quando Jesus completou trinta anos. Também não concordamos absolutamente com a afirmação gratuita de que “Maria e Jesus representam a união dos dois princípios masculino e feminino em equilíbrio perfeito”. A autora está equivocada, pois o equilíbrio perfeito só pode estabelecer-se através do número três (3). Pythagoras dizia: “Assim como há três noções divinas e três regiões inteligíveis, há também um triplo verbo, porque a ordem hierárquica se manifesta sempre por três” (3). Pelo exposto, o equilíbrio perfeito só poderia estabelecer-se na base dos três personagens evangélicos, JOSÉ, MARIA e JESUS. É neste sentido que eles devem ser considerados, tendo uma importância fundamental.

JOSÉ simboliza a faculdade positiva e masculina da VONTADE.

MARIA simboliza a faculdade negativa e feminina da IMAGINAÇÃO.

JESUS é o símbolo do fruto ou filho que deve surgir da união superior destes dois princípios, pois a imaginação sem o concurso da vontade é estéril e jamais poderia trazer à luz uma criação superior. Poderia uma mulher conceber sem o concurso do homem? O mesmo se dá em nível psicológico e a lei da analogia aí está para confirmar este princípio. Somente a sra. Corinne Heline, considerada pelos corifeus de Oceanside, como uma das primeiras discípulas de Max Heindel, poderia sustentar um tal absurdo. A união da mãe com o filho não poderia produzir um fruto superior por ser a expressão de um incesto. Parece que a nossa autora esqueceu – ou não quis dar a devida importância – ao símbolo representado por José, ou seja, à Vontade, faculdade especialíssima de todo o verdadeiro Filho do Fogo que se orienta pela Razão. Há muitas outras afirmações que revelam os defeitos da visão psicológica dessa Senhora. Muitas poderão vir ainda, pois o editor da referida revista de Portugal (Rosacruz) promete continuar com as publicações.

Nossa intenção não é polemizar nem atacar quem quer que seja, entretanto, somos do parecer que assumimos uma grande responsabilidade moral e espiritual, quando falamos ou escrevemos a respeito dos ensinos evangélicos e rosacrucianos que não são da nossa autoria. Estamos ceifando onde não semeamos como disse o nosso Salvador. A nossa obrigação é de não contribuir para encher o mundo com idéias próprias e fantasistas, que mais confundem do que esclarecem, mas sim difundir corretamente os ensinos superiores que nos foram legados com tanta generosidade. Vivemos na época da “Internet” e a Fraternidade Rosacruciana São Paulo, que até então tem limitado suas denúncias aos estudantes brasileiros, doravante, publica-las-á em português e inglês, para que boa parte do mundo tome conhecimento dos desmandos filosóficos protagonizados por qualquer instituição que se diga esotérica. Especialmente a THE ROSICRUCIAN FELLOWSHIP com sede em Oceanside nos Estados Unidos da América. É inadmissível que os ensinos da sublime Escola de Mistérios dos Rosacruzes sejam torcidos e desvirtuados ao sabor dos caprichos da moda e da mentalidade fantasista dos escribas e fariseus contemporâneos. Tudo parece indicar que a organização de Oceanside esqueceu que da Ex-Escola Esotérica fundada pelo Sr. Max Heindel procede a notável obra, Maçonaria e Catolicismo, a qual parece não ter sido bem compreendida, pois a preocupação em enaltecer a Virgem Maria ocupa um lugar de maior destaque. É nosso dever avivar a memória das suas diretoras com alguns trechos desse livro, pois o olvido dos seus princípios transformou a Escola dos Filhos do Fogo, numa igrejinha adúltera e irresponsável, onde os Filhos da Água pontificam.

Trechos extraídos da obra do Sr. Max Heindel – MAÇONARIA E CATOLICISMO.

“O autor não é maçom, e assim está em liberdade de publicar o que sabe, sem temor de quebra de obrigações; porém é maçom de coração, e portanto francamente oposto ao catolicismo.” (Linha da Água)

“Cremos firmemente que, para o perdurável bem da humanidade, hão de vencer os maçons.” (Linha do Fogo)

“Os clérigos insistem sempre na necessidade da fé, enquanto que os estadistas dão maior importância e põem toda a sua confiança nas obras. Porém, a fé manifestada nas obras é o supremo ideal de expressão”.

“A humanidade pode e deve admirar a elevação de sentimento e o brilho da oratória; porém, quando um Lincoln quebra as cadeias que aferrolhavam uma raça escravizada, ou um Lutero se revolta em favor dos oprimidos espíritos da humanidade e lhes assegura a liberdade religiosa, a manifestação destes emancipadores revela uma beleza de alma que não se descobre naqueles que se elevam às nuvens porém temem manchar as mãos na obra do templo da humanidade”.

“Hoje em dia, os templos dos “Filhos de Seth” têm junto às suas portas a água mágica e todo aquele que entra deve assinalar com o líquido letal (mortal) a sua fronte onde reside o Espírito. Sua razão está afogada em dogmas e tradições, e o ideal feminino está simbolizado no culto à Virgem Maria”.

“A fé é o capital fator de sua salvação, e se aconselha a atitude de infantil e cega obediência”.

“Muito diferentes são os templos dos “Filhos de Caim”, onde o candidato entra “pobre, nu e cego”. É-lhe perguntado o que procura, e se responde que procura a LUZ, o dever do mestre é dar-lhe o que pede, fazendo dele um “Franco-maçon”, ou Filho da Luz. Também tem o mestre o dever de ensiná-lo a trabalhar, e para emulação se lhe apresenta o exemplo de Hiran Abiff, do Mestre Artífice, como ideal masculino”.

“A Maçonaria exotérica (exterior), que não vai além da casca da mística ordem instituída pelos Filhos de Caim, tem atraído nos tempos modernos o elemento masculino – com seus veículos positivamente polarizados – para adestrá-los na indústria e na política, e dirigir desta maneira o progresso material da humanidade. Por outro lado, os Filhos de Seth, que constituem o sacerdócio, concentravam a sua atividade nos corpos vitais positivos do elemento feminino, para dominar o progresso espiritual. Enquanto os Filhos de Caim lutaram por meio da “Franco-Maçonaria” e instituições análogas na conquista do poder temporal, os Filhos de Seth (o sacerdócio) têm pelejado com o maior ardor e eficácia, para dominar o desenvolvimento espiritual do elemento feminino”.

“Ao observador superficial parecerá que nos nossos tempos não há um decidido antagonismo entre estas duas correntes; porém, ainda que a Franco-Maçonaria não seja hoje mais do que a casca de sua antiga realidade mística e o Catolicismo se tenha manchado espantosamente ao toque do tempo, a guerra entre ambas prossegue, tão acirrada como sempre.”

“Em conclusão, podemos resumir os pontos que temos tratado nestes capítulos sobre Franco-Maçonaria e Catolicismo, tendo em conta que a palavra “Catolicismo” não se refere aqui unicamente à Igreja Católica Romana, senão que tomada em seu sentido universal, de modo que inclui todas as atividades promovidas pelo sacerdócio, pelos Filhos de Seth”.

“Por outra parte, os Filhos de Seth foram clérigos que mantiveram o ideal feminino, simbolizado pela Virgem Maria, e governaram a sua gente pela virtude da água mágica colocada às portas dos seus templos”.

“Diversos intentos foram feitos para unir essas duas correntes da humanidade e emancipá-las dos seus respectivos genitores, Jehová e Samael. Com este propósito se edificou o simbólico templo, segundo as instruções de Salomão, o filho de Seth. Hiran Abiff, o filho de Caim, havia de fundir “o Mar de Bronze”; porém, este projeto fracassou, conforme já vimos, e não pode realizar-se a intentada união dos dois opostos ramos da humanidade”.

“A Religião manchou-se horrivelmente no transcurso do tempo e o regime dogmático empanou sua original pureza, de modo que não lhe cabe o qualificativo de católica, isto é, de universal. Em todas as direções se tem desmembrado em ramos, seitas e ismos.”

“Christian Rosenkreuz recebeu o encargo de reunir os Filhos de Caim que procuravam a Luz do conhecimento no sagrado Fogo do místico santuário. Assim como a energia infundida pelo seu Divino genitor Samael, levou Caim ao trabalho e à invenção, assim também o mesmo impulso espiritual move os seus descendentes em busca da sua salvação por meio do Fogo das tribulações, construindo para si o áureo “Traje de Bodas”, que é o “Abre-te Sésamo” do mundo invisível. E ainda que o purificador sangue de Jesus seja de absoluta necessidade a milhões de débeis irmãos, não há dúvida alguma de que, quanto mais seres humanos se filiem à mística Maçonaria, para conscientemente construir o Templo da Alma, mais cedo virá Cristo pela segunda vez, e mais vigorosa será a raça que Ele há de reger pela lei do Amor”.

Cremos ao ler estas linhas que é impossível admitir qualquer inclinação, do senhor Max Heindel, para os movimentos sacerdotais, característicos dos Filhos de Seth, ou que a Escola por ele fundada acompanhasse as diretrizes eclesiásticas ou femininas, simbolizadas pela Virgem Maria. Em uma de suas cartas dirigidas aos estudantes, inserida posteriormente no livro “Ensinamentos de um Iniciado”, diz o Venerável Instrutor, referindo-se ao destino da organização por ele fundada: “Até aqui não pudemos evitar as rígidas e firmes condições de organização na Sede, mas a associação sem restrições deve permanecer livre para que possa alcançar maior crescimento espiritual e vida mais longa. No entanto, é triste considerar que, embora sejam estas as nossas intenções, chegará o dia em que Fraternidade Rosacruz (de Oceanside) terá o mesmo destino de todos os outros movimentos: Ficará atada por regras, e a usurpação do poder fará com que ela se cristalize e se desintegre. Mas é um consolo saber que de suas ruínas surgirá algo maior e melhor, como ela surgiu de outras estruturas que já tiveram a sua utilidade e estão agora em vias de dissolução”.

A profecia aconteceu! A direção maçônica, masculina e positiva dos “Filhos do Fogo” foi usurpada pela direção clerical, feminina e negativa dos “Filhos da Água”. A organização material continua existindo na forma de uma discreta arquitetura pintada de branco, ladeada de jardins bem cuidados; boa alimentação vegetariana, acomodações para hóspedes, vendas de livros e de imagens da nossa senhora, além de uma imagem afeminada que, segundo os dirigentes de Oceanside, seria a de um auxiliar invisível ou do mestre do Sr. Max Heindel. Como também não poderia deixar de acontecer, são celebrados ofícios dominicais (serviço), que mais se assemelham aos rituais religiosos desenvolvidos pela igreja católica. É perfeitamente visível, ao menos para aqueles que tem “olhos para ver” que, “Monte Eclesia”, apesar do seu visual harmonioso não passa de um corpo morto, pois o Espírito que a animava no passado partiu com o seu Insigne Fundador. O que Este talvez não esperava é que a sua profecia se realizasse tão cedo. A Escola desapareceu dando lugar a mais uma filial dos Filhos de Seth ou da Água. Bem disse o saudoso fundador da Fraternidade Rosacruciana São Paulo, Sr. Lourival Camargo Pereira, em um de seus artigos: “Uma Escola pode se degenerar e se transformar numa igrejinha, mas jamais voltará a ser uma Escola”.

Revisto em Abril de 2004.


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