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O Grande Arcano

O Grande Arcano

Envelheci e me embranqueci no estudo dos livros mais desconhecidos e mais terríveis do Ocultimo; meus cabelos caíram, minha barba cresceu tanto como a dos padres do deserto; procurei as Chaves dos Símbolos de Zoroastro; penetrei nas criptas de Manés, surpreendi o segredo de Hermes, esquecendo-me de roubar para mim uma ponta do véu que esconde eternamente a Grande Obra; sei o que é a Esfinge colossal que lentamente penetrou na areia, contemplando as pirâmides. Penetrei nos enigmas dos brâmanes. Sei que mistérios Shimon bar Yochai enterrara consigo durante doze anos na areia; as Clavículas de Salomão apareceram-me resplandecentes de luz, e li correntemente nos livros que o próprio Mefistófeles não sabia traduzir a Fausto. Pois bem, em nenhum lugar, nem na Pérsia, nem na Índia, nem entre os palimpsestos do antigo Egito, nem nos grimórios malditos subtraídos às fogueiras da Idade Média, encontrei um livro mais profundo, mais revelador, mais luminoso nos seus mistérios, mais espantoso nas suas revelações esplêndidas, mais certo nas suas profecias, mais profundo perscrutador dos abismos do homem e das trevas imensa de Deus, maior, mais verdadeiro, mais simples, mais terrível, e mais doce do que o “Evangelho de Jesus-Cristo.”

Eliphas Levi